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Pay-TV Fórum Brasil: A ameaça da Pirataria e a necessidade de uma ação unificada
Pay-TV Forum Brasil

As mudanças que vem acontecendo na indústria de TV paga estão trazendo incertezas para os negócios. Mesmo com o discurso de oportunidade e entusiasmo, a realidade é que muitos players na indústria não conseguem afirmar com certeza como será o futuro de seus negócios. Existem muitas dúvidas que vão desde novos modelos de receita, comportamento dos consumidores, o alto risco do desenvolvimento de conteúdo, concorrência crescente e muitos outros. No momento, uma das principais ameaças para o sucesso da indústria é a pirataria. De acordo com o  Pay-TV Innovation Forum, 67% dos executivos na América Latina afirmam ela é um grande desafio para seus negócios.

Ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, a pirataria não é feira por pequenas operações de garagem e jovens rebeldes. É uma indústria altamente organizada, com recursos, motivada por altas margens de lucro e com uma presença global. Isso significa que eles podem roubar e distribuir conteúdo com eficiência e atuar como uma concorrência desleal com as empresas legítimas do mercado.    

Danilo Almeida, head de integração de sistemas da NAGRA na América Latina, falou durante o Pay-TV Forum Brasil sobre a importância de uma estratégia que envolva o uso de tecnologias de marca d’água e rastreamento, combinada com o monitoramento ativo e a tomada de ações legais contra os criminosos. “Aonde existe conteúdo premium, o crime da pirataria vai acontecer”, explica Danilo. Estas organizações tomam vantagem dos desafios econômicos para oferecer conteúdo ilegal de forma gratuita, ou com custo muito baixo. É importante educar o público sobre os riscos do conteúdo pirateado, bem como manter uma postura ativa de combate, interrompendo os provedores clandestinos e destruindo sua credibilidade com o público, derrubando constantemente suas operações. “O usuário precisa compreender que a transmissão ilegal, seja para conteúdo gravado ou ao vivo, não é confiável, e a única forma de se conseguir a melhor experiência é através dos provedores oficiais da indústria” completa o executivo. 

De acordo com o Ministério da Cultura do Brasil, o país ocupa a quarta posição no consumo de pirataria em todo o mundo. Sites piratas receberam mais de 300,2 bilhões de visitas em 2017. Isso representa U$ 32 bilhões em perda de receita para a indústria globalmente. E os sinais mostram para uma tendência de crescimento. Dificuldades econômicas estão acelerando a mudança para o modelo OTT sobre o linear. Isso traz grandes oportunidades para a indústria, mas também para os criminosos.  

No Brasil, uma pesquisa conduzida pela Kantar Ibope Media, revelou que 48% dos entrevistados não assinam TV paga por causa do custo. Entre 2017 e 2018, a assinatura da TV no país caiu 2,2%, enquanto serviços pagos de streaming cresceram 1,6%. O país ocupa a quarta posição no ranking de acesso a sites piratas, com 12,7 bilhões de visitas. E com os desafios econômicos regionais, aliados às incertezas globais, este número deve subir ainda mais.

Durante o Pay-TV Forum Brasil, em São Paulo, a pirataria foi mencionada pela maioria dos palestrantes como um dos principais desafios para o desenvolvimento da indústria na região, que sofre com o atual cenário econômico. Além disso, hoje também está clara para o mercado a relação entre a pirataria e o crime organizado. De acordo com a rand.org, a pirataria pode ser mais lucrativa que o tráfico de drogas, e é frequentemente usada como fonte de financiamento para outras atividades criminosas.

Para a maioria dos líderes de TV paga, é imperativo que toda a indústria realize uma abordagem unificada, com ações comuns e objetivos para mitigar os riscos e prejuízos para todos. Com uma visão integrada, cooperação com legisladores e agências reguladoras, bem como a definição de padrões para ajudar a proteger conteúdo valioso através de todo o ciclo de produção e distribuição.  

É fato que o OTT e o streaming trouxeram o desafio da pirataria de volta para o foco das preocupações da indústria. A maioria dos empresários já percebeu a seriedade da situação, agora chegou a hora de agir!